sábado, 3 de setembro de 2011

15 de Agosto - 3º dia - Caminos de Santiago - Caminho Central Português

Segunda-feira de manhã! O último dia de viagem para Santiago…como era cedo e os “nuestros hermanos” ainda estavam a recuperar depois de uma noite de "fiesta", a cidade estava extremamente calma. O pior é que não encontrámos sítio para tomar o pequeno-almoço…sendo assim, resolvemos começar a pedalar depois de encher os bidons numa fonte perto do Albergue. Depois de fazermos alguns kms a um ritmo suave, parámos para tomar o pequeno-almoço. E já era hora, pois tínhamos o estômago colado às costas!
Os donos do café, habituados a receber peregrinos, foram extremamente simpáticos e acolhedores. Para não deixarmos as bikes junto à estrada, disponibilizaram o jardim para estacionarmos os nossos veículos!
Ficámos muito bem instalados numa mesa para clientes VIP
Não podia faltar a Mixta!
Depois de matar quem nos queria matar (a fome), foi altura de dar mais umas pedaladas para chegar a um dos pontos mais bonitos da nossa viagem. Estávamos num estradão de terra batida que serpenteava por entre uma floresta. Nas imagens não dá para perceber a real beleza deste troço mas sempre fica uma pequena amostra.
Aqui vai a passar o Ernesto, apreciando a paisagem
No fim deste trilho, estava a Proteccion Civil do Conello de Valga à espera para carimbar as nossas credenciais. Estavam também a fazer o levantamento do número de peregrinos que por ali passavam pois existem planos para melhorar o Camino, e assim ficam com uma ideia real da tarefa que têm em mãos. Também nesse local está uma pequena ponte de madeira que alguns de nós assinaram, marcando assim a passagem dos Anadiabikers. Assim que ficámos com mais um “sello” na nossa credencial, fizemo-nos ao caminho.
Ao passar na ponte de uma localidade (mais uma que não soubemos o nome, pois fazendo o Camino não passamos por placas que indiquem o nome da localidade):
Quando parámos para apreciar a paisagem, reparámos na enorme quantidade de peixes que estavam também eles, em viagem:
Estávamos quase a chegar a Padrón e íamos pedalando calmamente e conversando…estávamos a apreciar o Camino!
Em Padrón:
A fotografia é ao busto e não às bolas…por ali ainda não chegou a moda de “limpar” os bustos. Assim que passámos Padrón, mais um troço em comum com a estrada nacional, o que se torna sempre perigoso
Mas em breve estávamos no caminho a passar por algumas casas com aspecto mais rústico mas muito bem cuidadas.
Nesta altura, o Camino era em alcatrão.
Pouco depois reparámos num rebanho de ovelhas…Espanha está muito mais evoluída que Portugal! Se não, reparem…no nosso país, como trabalham os pastores? Andam a pé, apoiados no seu cajado e acompanhados pelo fiel companheiro, o cão. Mas em Espanha estão muito muito à frente…
Andam de carro…e se as ovelhas se recusam a colaborar basta buzinar! Como diria o Fernando Pessa:”E esta, hein?” Mas ainda a pensar nisto, começámos a notar que estávamos pertinho de Santiago, pelo que era indicado nos marcos:
Já no fim de uma das últimas subidas que tínhamos pela frente, estavam pegadas pintadas no alcatrão. Talvez simbolizem os passos finais do peregrino ou para motivar os peregrinos, dizendo que não estão sozinhos.
Outro pormenor muito interessante, que reparámos já a chegar a Santiago de Compostela, foi o de existirem famílias completas a fazer o Camino a pé…pai, mãe e filhos a fazerem a viagem. Se pensarmos bem, isto é uma excelente maneira de fazer as férias…em peregrinação com a nossa família…sem stress, sem preocupações, sem televisão, só a família e o Camino! Já com Santiago à vista:
E a tão ansiada chegada a Santiago de Compostela, foi festejada por todos! O Paulo Neves festejou com a roda no ar…provavelmente foi o que fez menos kms de nós todos pois com a roda no ar o conta-km não marca…
Circulando nas ruas, por entre a multidão, com a Catedral à vista:
Já em frente à Catedral:
A foto dos peregrinos!
Que vista da Praça do Obradoiro!
Agora estava na hora de carimbar a Credencial na Oficina del Peregrino e depois disso comprar as lembranças desta viagem. Estacionámos as bikes junto a uma escadaria e lá fomos. Primeiro à Oficina onde fomos rapidamente atendidos e onde recebemos a Compostela! O documento que comprova que fizemos o Camino. Para não perder muito tempo pois estávamos a planear regressar de comboio, as compras foram feitas rapidamente mas não podíamos deixar de visitar a Catedral e do Botafumeiro:
A viagem para a estação de Santiago de Compostela foi feita rapidamente
Ao chegarmos à estação, um grupo de peregrinos portugueses que também tinham feito o Camino de bicicleta, avisaram que não havia maneira de transportar as bikes até Vigo, pois cada comboio tem capacidade para 3. Esse grupo ia tentar alugar uma carrinha para os levar para casa. Ao falarmos na bilheteira ficámos a saber que para esse dia só havia lugares disponíveis para as bikes em comboios depois do último que poderíamos viajar. Isto porque já chegaria a Vigo depois do último comboio para Portugal partir. Depois de discutir sobre como íamos resolver a situação, optámos por voltar à Oficina del Peregrino para falar com a transportadora. Assim, depois de combinar tudo, despedimo-nos das bikes que nos tinham acompanhado desde casa e caminhámos até à estação de combios.
Já na Estação
Com os bilhetes comprados e já à espera do comboio, apercebemo-nos que tínhamos feito uma boa opção em enviar as bikes por transportadora pois assim a viagem de comboio tornava-se mais rápida e fácil.
Ao entrar no comboio para Vigo, percebemos o porquê de só poder transportar 3 bikes. Era muito semelhante ao nosso Alfa Pendular.
A partida de Santiago de Compostela!
Na viagem de regresso, reparámos em imensos pontos por onde tínhamos passado ao longo do Camino:
A viagem até Vigo decorreu sem percalços, a não ser o facto da mochila parecer mais pesada de cada vez que pegávamos nela…em Vigo aproveitámos o tempo de espera para repor energias. O comboio de Vigo para o Porto já não era tão confortável e tivemos de combater o sol de fim de tarde:
Depois da cansativa viagem até ao Porto, comprámos o bilhete até Aveiro. Era o destino mais próximo de casa que tínhamos disponível aquela hora. Mas já estava tudo planeado para o nosso transporte de Aveiro até casa…era tempo de aproveitar a viagem.
Já era tarde quando chegámos a casa…cansados mas felizes por termos feito o Camino. Foram 3 dias que passaram muito rapidamente e que já deixam saudades. A verdade é que para aproveitar em pleno o Camino, a melhor maneira é a pé pois dá tempo de apreciar tudo e é mais fácil conhecer e falar com outros peregrinos. Mas fazer o Camino de bicicleta, com um grupo de amigos, é uma experiência espectacular. Sem dúvida, uma aventura a repetir! Santiago de Compostela que espere os Anadiabikers para o ano!

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